Pink Floyd – A Momentary Lapse Of Reason (1987)

Já houve um projeto mais inútil do que a nova versão de A Momentary Lapse Of Reason do Pink Floyd? Aqui estão 32 anos após seu lançamento, e é como se David Gilmour ainda fosse sensível às críticas na época de que o álbum era realmente apenas um álbum solo de David Gilmour sob o apelido de Pink Floyd. Então, como parte do boxset The Later Years, ele decidiu que seria uma boa ideia aumentar o quociente do Pink Floyd no álbum, colocando algumas partes adicionais de teclado de Rick Wright nas mixagens das músicas e fazendo com que Nick Mason regravesse as partes de bateria. que foram originalmente feitos por bateristas de sessão. Em sua autobiografia, Inside Out Mason descreveu o quão difícil foi para ele aprender as partes de bateria das músicas quando ele teve que tocá-las ao vivo após o lançamento do álbum, e espero que ele tenha que passar por esse processo novamente mais de 30 anos depois para regravá-los para esta nova versão do álbum. Pobre cara, não pode ser fácil ser o tag along no Pink Floyd.

Data do lançamento: 07/09/87.

Texto Original:

Robertinho do Recife – Jardim da Infância (1977)

Não tenho medo de dizer que Jardim da Infância é um dos melhores discos já gravados nestas terras. Nesta época, Fagner foi elevado à condição de diretor artístico do selo Epic da CBS (havia uma piada dizendo que CBS significava Cearenses Bem-Sucedidos) e empurrou para o estúdio vários músicos nordestinos, destes que as gravadoras consideravam com pouco potencial comercial. Entre eles, Robertinho do Recife, jovem guitarrista que já o vinha acompanhando há algum tempo, como no extraordinário registro no LP Raimundo Fagner (1976). Este disco solo de estreia é uma iluminação. Se seus contemporâneos incorporavam influências do rock, Robertinho resolveu perpetrar uma aproximação entre as sonoridades nordestino-árabes e o jazz fusion em voga na época. O disco abre trilhando uma vereda que os Novos Baianos já tinham aberto: a introdução pesada da guitarra elétrica no frevo tradicional, sendo que “Frevo dos Palhaços” investe na sonoridade típica do estilo pernambucano.

Talvez a faixa mais original da fusão nordeste-oriente-jazz-rock seja o lindo tema “Sinais”, em que a guitarra se embrenha numa conversa torta com a sanfona do genial Sivuca. “Idade Perigosa” emula com propriedade o Jeff Beck de Blow by Blow, enquanto “Chamada”, com participação de Fagner nas harmonias vocais, traz a Mahavishnu Orchestra para tocar no agreste, num amanhecer do verão. Agora, se estas faixas denunciam as paixões jazz fusion de Robertinho, coisas como “Ao Romper D’Alva”, “Acalanto para um Punhal” e “Agrestina” mostram que estas influências eram reprocessadas em temas originais e de alta voltagem inventiva. O disco obviamente não fez boa figura no departamento comercial da CBS e nunca foi relançado, nem mesmo na era do CD. Uma versão completa pode ser ouvida através do Youtube (abaixo), mas o arquivo para download não está mais na rede. Robertinho ainda lançaria outro álbum do mesmo calibre, Robertinho no Passo, para depois cair na vida e cometer atrocidades na forma de versões para canções bregas do Def Leppard e do Aerosmith. Hoje, está dedicado à produção em seu estúdio no Recife e este produtor deve entender pra caramba do riscado!

Data do lançamento: algum dia em 1977.

Texto Original:

Pink Floyd – The Piper At The Gates of Dawn (1965)

Antes de se tornarem titãs do rock progressivo, os músicos que iriam formar o Pink Floyd começaram de forma convencional. O repertório era basicamente constituído de covers de artistas norte-americanos de R&B, algo bastante similar ao que Rolling Stones, Yardbirds e outras bandas britânicas faziam. Sob o comando inicial de Roger “Syd” Barrett, porém, o grupo iria muito além do blues. O destino de Barrett era borrar os limites entre som e imagem, transformando de maneira sinestésica o que passava em sua mente em um tipo de música nunca ouvido até então.

Data do lançamento: 05/08/65.

Texto Original:

John McLaughlin – Liberation Time (2021)

“Talvez um dos maiores acertos de Liberation Time seja que seu título pareça sincero e não irônico. Tal sentimento poderia facilmente ter saído como um pensamento positivo sob as restrições da vida pandêmica. Sendo quem ele é, porém, John McLaughlin inevitavelmente encontra o valor e a positividade mesmo nesse estranho estado de coisas. “A coisa maravilhosa sobre a música é que você pode colocar os fones de ouvido e estar com todos numa mesma sala”, diz ele em relação ao novo modus operandi padrão de teleconferências virtuais. Mesmo que isso não seja literalmente verdade, a química entre esse grupo de amigos felizmente não foi diminuída pela distância.”

Texto Original: