Blondie – Eat To The Beat (1979)

A furiosa e irrequieta bateria no início de “Dreaming” mostrava aos mais reticentes que os Blondie estavam bem vivos e bem capazes de continuar na ribalta do pop-rock planetário. “Dreaming” é, aliás, o primeiro tema-single do alinhamento deste quarto longa duração da banda americana, canção fortíssima, e sucesso desde então. A voz de Debbie nunca pareceu tão bela como aqui, e todos os rapazes da banda estavam em grande forma. O conjunto das canções de Eat To The Beat mostra como são soberbas as melodias que os Blondie foram capazes de produzir em circunstâncias nem sempre famosas, como mais tarde se verá, e uma vez mais a magia de Mike Chapman é um ponto consensual a favor da projeção da banda. São vários os hits presentes neste trabalho de 1979. Ora tome nota: para além da referida canção que abre o disco, há ainda “Union City Blue”, “Shayla” – esta menos conhecida, mas igualmente um sucesso entre os fãs -, “Slow Motion” e “Atomic”. No entanto, outros temas são (muito) dignos de registo, como “Accidents Never Happen”, contributo total do grande Jimmy Destri, o homem das teclas do grupo, ou ainda “Die Young Stay Pretty” e “Sound-a-Sleep”, canção que tantas vezes me fez adormecer e sonhar. A vertente mais pop das canções referidas não ocupa, porém, a totalidade do disco. As mais roqueiras “”Eat To The Beat”, “Victor” ou “Living In The Real World” trazem um perfeito equilíbrio ao álbum, lembrando o facto de os Blondie, no seu início CBGBiano, serem considerados uma banda punk, embora essa definição nunca me tenha agradado.

Data do lançamento: 28/09/79.

Texto Original:

Eivor – Segl (2020)

Co-produzido pelo colaborador de Lana Del Rey, Dan Heath, Seglcontém os tons escuros de um prototípico disco de Lana, mas com o som nítido de euro-pop que Eivør oferece. A faixa de abertura “Mánasegl”, cantada em islandês, começa com uma reverberação vocal eletrônica semelhante a Imogen Heap que depois cresce em um ambiente assombroso. Eivør então faz a transição para a mais apaixonada “Let It Come”, onde a batida forte, mas fraca, flui e reflui com o cinturão dinâmico e o sussurro do músico das Ilhas Faroé. Uma mudança perceptível no tom é ouvida na terceira faixa, “Sleep on It”. O zumbido e o nervosismo da produção são mais leves do que as faixas anteriores, assim como os vocais de Eivør que constroem uma energia que acaba levando a nada. A balada pesada de piano “Hands” então retorna ao clima mais sombrio de Segl.

Data do lançamento: 18/09/20.

Texto Original:

Kate Bush – Hounds Of Love (1985)

Este é o quinto álbum de estúdio da britânica Kate Bush, uma das maiores figuras femininas no mundo da primeira arte, abençoada com uma das maiores vozes do século passado. Carismática, inovadora, criativa, talentosa, compositora e performer, Bush tem uma discografia marcante e singular. […] Resultado de uma posição corajosa e afirmativa face ao seu estatuto de celebridade, a cantora tirou tempo para si mesma após o lançamento e promoção do álbum anterior, The Dreaming. Assim, num verão relaxado, construiu o próprio estúdio num celeiro perto da casa da sua família, onde começou a trabalhar no novo projeto em 1984, surgindo no ano seguinte Hounds of Love. […] O disco está dividido em duas partes distintas, sendo a primeira, Hounds of Love repleta de canções notáveis, e a segunda, The Ninth Wave, conceitual, única, e mais experimental e abstrata. O álbum começa com “Running Up That Hill”, que tem batida marcada, melodia cativante e letra forte, evoluindo progressivamente até culminar num espectro de camadas de vozes e rasgos de guitarra arrepiantes. Aqui, cada palavra é preciosa. “You don’t want to hurt me, but see how deep the bullet lies.” “Is there so much hate for the ones we love? Tell me, we both matter, don’t we?”

Data do lançamento: 16/09/85.

Texto Original:

David Bowie – Scary Monsters (1980)

Provavelmente todos conhecemos David Bowie, mas tendemos a conhecê-lo mais através de suas músicas de sucesso do que de seus álbuns completos. A maioria dos fãs casuais de Bowie podem conhecer “Ashes to Ashes”, mas como Scary Monsters não produziu outro single de sucesso nesse nível, o trabalho completo não é tão conhecido hoje quanto deveria ser. Com o passar do tempo, seus singles ganharam destaque, mas os álbuns nem tanto. Também está aninhado entre dois projetos mais monumentais – Berlin Trilogy, que gerou “Heroes”, e o sucesso comercial Let’s Dance. Scary Monsters também está tematicamente no meio – as pessoas que procuram um Bowie experimental olham antes deste álbum, enquanto as pessoas que procuram hits de dança procuram depois.

Renée Yoxon – Beautiful Alchemy (2020)

Renée Yoxon tem várias facetas como artista e performer cujo estilo singular é maior que a soma de suas várias identidades. Ela é uma performer em todos os sentidos da palavra. Como musicista e compositora, Yoxon oferece uma aula de mestre em narrativa emotiva, infundindo a menor das frases com as emoções mais sutis para o máximo impacto no público. A primeira vez que você ouve Yoxon cantar é para conhecer a sua jornada, mesmo que você não saiba nada de sua história de visda. É a sua história de vida, capturada no cativante documentário Beautiful Alchemy, que realmente revela o aspecto inspirador e performático de ser Renée Yoxon: ser uma jovem artista queer que, no auge de sua vida, se viu debilitada por uma dor crônica.”

Data do lançamento: 01/09/20.

Texto Original:

White Moth Black Butterfly – Atone (2017)

White Moth Black Butterfly é um projeto contemporâneo de pop progressivo intercontinental (britânico / indiano / americano) cujos membros são de Nottinghamshire/UK, Nova Delhi/Índia e Salt Lake City/Utah/EUA. Criado por Daniel Tompkins, que também é o vocalista principal do grupo de metal progressivo TesseracT, parecia precisar de mais uma válvula de espace para dar vazão ao seu grande fluxo criativo. Para este projeto ele buscou inspiração em artistas distintos e variados como Massive Attack, Enigma, Sigur Ros, David Bowie, Michael Jackson, Tool, Dredg e Thrice e outros.

Sobre a evolução do White Moth Black Butterfly, Daniel explica:

“O que começou como um escape se transformou em um projeto musical em tempo integral. Escrever música com Keshav, Randy e Jordan tem sido um processo inspirador e revigorante e que nos permitiu explorar novos sons através do trabalho vocal contemporâneo e instrumentação orgânica. ”

Atone foi gravado em diversos lugares do mundo, desde estúdios na Índia, Reino Unido, EUA até Taiwan. É um trabalho construído sobre paisagens sonoras, que para os músicos, são orgânicas e texturizadas ao ponto de caminharem de mãos dadas com o cinema. As letras giram em torno de dois temas antagônicos sobre a perda e esperança:

“Enquanto músicas como Tempest e Atone se concentram na fé e no perdão, Rising Sun e An Ocean Away focam no amor e na saudade, jogando o ouvinte num mundo antigo que se volta para o “ter menos e se importar mais”. O trabalho artístico da capa captura a beleza da natureza e de duas duras realidades da vida: poder e domínio.”

É um trabalho elaborado com muito cuidado para que as letras façam sentido principalmente para quem ouve. A ideia dos músicos é emocionar a todos aqueles que estiverem abertos para esse tipo de sonoridade. Pois como dito acima, as composições foram idealizadas com o objetivo de produzirem imagens cinematográficas, por isso também se preocuparam bastante com a arte da capa, para que ela fosse capaz de capturar a atenção do público antes mesmo da música. E também que ela preparasse o ouvinte para a audição.

O grupo consiste no vocalista Daniel Tompkins, no guitarrista do Skyharbor, Keshav Dhar, bem como no Randy Slaugh (teclados / orquestrações), Jordan Bethany (voz) e Mac Christensen (bateria).

Data do lançamento: 01/09/17.

Referências:

Michael Jackson – Bad (1987)

Se alguém ainda tinha dúvidas sobre a capacidade de Michael Jackson, elas foram desfeitas após o sucesso estrondoso proporcionado por Thriller. Daquele ponto em diante, o artista tinha alcançado um nível onde poucas pessoas imaginaram que ele chegaria e as questões passaram a ser outras: o que virá agora? Será que o sucesso se manterá? […] As respostas para ambas as perguntas chegaram cinco anos após Thriller com o seu sétimo álbum de estúdio e Bad representa mais do que uma continuação na carreira do eterno Rei do Pop, mas uma ruptura com quase tudo aquilo que Michael Jackson representava até então e, principalmente, a busca pela construção de um personagem capaz de ser amado e idolatrado por todos.

Data do lançamento: 31/08/87

Texto Original:

Marina Sena – De Primeira (2021)

“A sonoridade do disco remete, de certa forma, aos trabalhos anteriores – principalmente aos projetos desenvolvidos com Rosa Neon. Sena perpetua o pop brasileiro. Explora o sincretismo musical na mistura de diversos gêneros, como é o caso do funk e do samba. A decisão de seu estilo musical não é acertada apenas por ser afim à sua bagagem musical. É também por adotar similaridades popísticas de artistas como Duda Beat e Jaloo, que movimentam as playlists de muitos jovens brasileiros ligados no novo e no independente.”

Data do lançamento: 19/08/21.

Texto Original:

Michael Jackson – Ben (1972)

O segundo disco de Jackson trouxe um pouco mais de baladas, mas levou o artista ao estrelato já antecipado. Na verdade, a musicalidade aqui, apesar de plena, não reverencia o passado de Jackson 5, seu antigo grupo, mas trata Michael como um cantor amadurecido. São 5 milhões em vendas nesse álbum e que de fato surge como um apontamento de maior ênfase no trabalho de criar algo superior em linhas futuras. Michael tece aqui uma façanha de cantar em tonalidades altas, mas com um jeito de se impor mais na musicalidade raiz e direto na alma do ouvinte.

Data do Lançamento: 04/08/72.

Texto Original: