Falkevic – New Constellations (2021)

“Com criatividade e amor pela improvisação e experimentação, o trio de piano norueguês Falkevik toca indie music [com inspiração no jazz] enérgico e baseado em riffs, combinando as paisagens sonoras nórdicas com passagens musicais líricas que permanecerão em seu ouvido. A vocalista e pianista Julie Falkevik, cuja voz clara e única instantaneamente hipnotiza o ouvinte, explora divertidamente o som do piano aplicando eletrônica e efeitos ao vivo, o que, por sua vez, dá à música uma vibração eletrônica distinta. Inspirado por artistas como E.S.T, GoGo-Penguin e Rymden, a Falkevik combina a tradição do jazz nórdico com melodias pop elegantes e solos baseados em riffs.”

Data do lançamento: 17/09/21.

Texto Original:

Banana Scrait – Giostra (2015)

O duo Banana Scrait nasceu em Fortaleza em meados da década de 1990, formado por Andrea Agda e Daniel Arruda. Munidos de fortes influências roqueiras, que vão de nomes como The Smiths, Breeders e Elastica, até estilos teoricamente desconectados como indie rock e rock progressivo. A dupla já começou benquista no circuito nacional de música independente. E o Festival Microfonia, na cidade de Recife/PE foi o pontapé inicial para a que despontassem em cidades como Recife, Maceió, João Pessoa, São Paulo e Rio de Janeiro.

Este trabalho é quase todo composto de versões de músicas do maestro Alberto Nepomuceno, que apesar de ter sido parceiro de artistas de renome como Osório Duque-Estrada e Francisco Manuel da Silva (responsáveis pelo autoria do hino nacional brasileiro), acabou por cair no esquecimento ao longo do tempo.

Inútil seria tentar descrevê-lo musicalmente pois é um apanhado de canções que literalmente foge à meras classificações. Portanto, a maneira mais apropriada que encontrei para a ele me referir foi apelando para o subjetivo. Giostra é alguma coisa pensada para comunicar algo àqueles que se reconhecem nas conexões do transcendental existente entre as pessoas e as coisas. Na verdade, parece se tratar da trilha sonora de um filme insólito através da qual o pensamento se expande para além dos sentidos, libertando a mente dos contornos limitantes. É uma forma de desprendimento que leva a uma espécie de contemplação onde os sons podem nos tocar de modo comovente. Uma viagem astral em que o corpo é levado a passear sem que, necessariamente, saia do lugar. Em resumo é música para quem ama a arte de um modo geral

O maior destaque deste álbum de 6 músicas e 32 minutos é certamente A Jangada, que foi o primeiro single do álbum e apresenta a ousada proposta de substituir a erudição de Nepomuceno pela distorção da guitarra. A releitura da dupla manteve a estrutura original da canção.

Data do lançamento: 30/08/15.

Referências:

Vienna Teng – Dreaming Through The Noise (2006)

Dreaming Through the Noise é, musicalmente falando, mais sobre sonhar do que sobre ruído, porque o álbum de Vienna Teng nunca é barulhento. Em vez disso, ela cultiva uma densa paisagem sonora composta de tudo, desde guitarras, percussão e pianos até violinos, violas e arranjos de cordas. O timbre leve dos vocais de Teng se encaixa facilmente nessa malha, tornando-se mais um elemento no som geral. Essa abordagem é muito sedutora em “Love Turns 40”, uma letra melancólica que captura a sensação imaginada de uma ex-estrela de cinema em queda livre. É uma reminiscência de Natalie Merchant cantando “San Andreas Fault”, embora Teng seja menos elíptico que Merchant. Por mais atraente que seja a abordagem de Teng, ela pode se tornar um pouco preciosa em músicas como “I Don’t Feel So Well”, que dá a impressão de Tori Amos-lite. Há também uma tendência, graças aos arranjos e produção suaves, de o material se fundir como se as músicas fossem mini-suítes dentro de uma obra maior. Essas qualidades criam um efeito de sonho, permitindo que o ouvinte se misture com os humores de Teng e flutue junto com suas músicas. Há também alguns toques muito agradáveis, como no trompete estilo Miles Davis em “Transcontinental, 1:30 A.M.” Dreaming Through the Noise pode ser muito calmo para alguns ouvintes, mas Teng fez um bom trabalho combinando música e humor, letra e atmosfera, que vai além do método típico de um cantor/compositor.

Data do lançamento: 25/07/06.

Texto Original: