Gilberto Gil – Quanta (1997)

Em 2006, ano em que entrei na universidade, o cantor Gilberto Gil foi convidado para realizar uma aula-show em um evento organizado pela universidade para os calouros conhecerem melhor a instituição e outros cursos, Gil, além de cantar suas músicas, também contaria um pouco de como foi a sua própria experiência como estudante de graduação na Universidade Federal da Bahia. De lá para cá, esse tipo de convite foi um costume da UFBA, que em sua apresentação para os calouros já contou com nomes como Tom Zé e Morais Moreira, além de outros não tão famosos fora da Bahia.

Data do lançamento: 01/01/97.

Texto Original:

Gilberto Gil – Refazenda (1975)

A deliciosa faixa “Ela” abre o trabalho mostrando como Gilberto Gil é um cara muito especial para compor músicas. O gingado e suingue dela mostra todo esse potencial dele em fazer um tipo de canção pop que só ele consegue – os arranjos são ótimos. Para abrir o álbum, colocar o pessoal para dançar é sempre uma boa escolha, ainda mais vindo de quem vem.

Da dupla Anastácia e Dominguinhos, “Tenho Sede” tem aquele simbolismo do retirante nordestino ao deixar o lar. Se o cantor estava retornando ao simples, essa faixa não tem nada disso. Ao contrário, a complexidade dos arranjos e da letra melancólica (Traga-me um copo d’água, tenho sede/ E essa sede pode me matar/ Minha garganta pede um pouco d’água/ E os meus olhos pedem teu olhar) são fundamentais para compreender o álbum. Aqui, a versão escolhida é uma ao vivo que consegue transmitir todos esses sentimentos.

Outra faixa muito complexa é “Refazenda”. De ritmo infantil e de fácil acompanhamento, tem ótimas sacadas e rimas fáceis de lembrar. Mais uma vez, prestem atenção ao arranjos no fundo. O passado está nas palavras (Abacateiro serás meu parceiro solitário/ Nesse itinerário da leveza pelo ar/ Abacateiro saiba que na refazenda/ Tu me ensina a fazer renda que eu te ensino a namorar), mas o presente está na qualidade das melodias. Que trabalho espetacular.

Gil afirma que “Pai e Mãe” “foi o primeiro manifesto da nova afetividade que se desenvolvia na época, indiscriminada com relação à sexo”, principalmente pelo verso Eu passei muito tempo/ Aprendendo a beijar outros homens/ Como beijo o meu pai. Além disso, é uma faixa muito bonita sobre afeto, já “Jeca Total” tratou do Brasil daquela época de maneira muito simples e eficiente. E a experimental “Essa é pra Tocar no Rádio”, inspirada em um disco de Miles Davis que o cantor estava ouvindo, é uma ironia ao fato de ele não tocar no rádio.

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