Emma Ruth Rundle – On Dark Horses (2018)

Para aqueles que ainda não a conhecem, Emma Ruth Rundle é vocalista e guitarrista do grupo pós-rock / psych / metal Marriages (Califórnia); participa do grupo Red Sparowes; é frontwoman no Nocturnes; além de ser vocalista, compositora, guitarrista, artista visual e uma talentosa artista solo, cuja dramaticidade de sua música evoca artistas/bandas contemporâneos como Chelsea Wolfe e Esben And The Witch.

Nascida na cidade de Los Angeles/Califórnia, mas, atualmente sediada em Louisville/Kentucky, antes de lançar um álbum solo, Emma publicou através do Bandcamp uma espécie de coletânea de canções experimentais escritas para violão e guitarra. E o resultado é Some Heavy Ocean (2014), um conjunto de canções melancólicas que, para os iniciados, remete a uma mistura elaborada de estilos como Space Rock, Pós-Folk, Pós-Rock e outros. Este trabalho foi inteiramente produzido e gravado no estúdio “caseiro” Sargent House, tendo o selo indie Echo Park como responsável pelo lançamento.

Todavia, somente após o lançamento de “Salome” (2015), segundo disco sob a alcunha “Merriages” é que Emma pôde lançar seu segundo álbum completo, Marked for Death (2016), também produzido no Sargent House. Posteriormente saiu The Time Between Us, um split EP com Jayle Jayle, seguido do projeto dark de Evan Patterson, da Young Widows.

On Dark Horses é o seu terceiro trabalho solo. O disco  Novamente, um trabalho experimental que, a julgar pela trajetória de Emma, é sua marca principal. Ao longo do álbum, há referências a cavalos, provavelmente influenciados pela transferência de Emma para Louisville, Kentucky, para estar com seu parceiro Evan Patterson, que contribuiu com muitas partes de guitarras. Liricamente, On Dark Horses é emotivo, pessoal, mas também catártico. O disco fala de superação e os “cavalos” tem essa função simbólica no álbum pois têm poder sobre a imaginação da artista. As letras crescem na dimensão visual e provocam sentimentos variados no ouvinte. Segundo ela própria, “os cavalos são seres imponentes e bonitos, mas não são realmente livres”. E esta percepção lhe estimulou para criar canções cheias de um simbolismo com força o bastante para atingir às pessoas em suas experiências mais individuais. E, de fato, algumas têm o poder de arrancar lágrimas. Não vou destacar uma ou outra, pois o disco todo me parece bom.

Data do lançamento: 14/09/21.

Referências:

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The Vintage Caravan – Gateways (2018)

Basta uma primeira audição em qualquer um dos três primeiros álbuns do Vintage Caravan para perceber as influências de Led Zeppelin, Rush e Gentle Giant, aliadas as passagens pesadas e aos climas mais sombrios, tudo envolto num espírito progressivo,  obscurecido por sonoridades metálicas. Neste sentido, o trio islandês se destaca por entrelaçar as viagens psicodélicas com solos e riffs nervosos, algumas experimentações inspiradas no blues,  e um acachapante peso groovado. No caminho evolutivo de sua discografia, “Gateways”, quarto disco do The Vintage Caravan, é construído com a energia da juventude aliada com a experimentação de quem começou bem cedo e vive na estrada.

Data do lançamento: 31/08/18.

Texto Original:

Gabriel Yang – Yang Storm (2018)

Na sequência, mostrou toda a sua pluralidade e versatilidade ao lançar Yang Storm (2017), um trabalho des-pretencioso que parece engendrar uma atmosfera inebriante capaz de deixar o ouvinte chapado sem precisar recorrer a ilícitos. Gabriel criou algo diferente e desconectado daquilo que a cena pedia na época. Talvez, ali, tenha impresso pela primeira vez a sua assinatura musical num trabalho autoral.

Nota do Editor:

  • Texto escrito em parceria com o artista.

Moska – Beleza e Medo (2018)

Moska sempre demonstrou ser um artista socialmente consciente e, neste disco, fazendo uso de sua visão aguçada, abordou temas importantes da realidade brasileira de um ponto de vista inusitado. Ele fala de beleza quando aborda aspectos sensíveis de nossa percepção sobre a vida que segue, mas de modo poético e simples; fala de medo para alertar e denunciar questões do cotidiano e das figuras encarregadas das nossas questões políticas. […] Nesse sentido, estabelece uma relação entre a beleza e o medo. Contrapondo-os e distinguindo-os segundo uma perspectiva individual que afeta a todos de formas diferentes. Será que essa relação é possível? Se sim, onde está o limite entre o que é belo e o que temeroso? Se não, onde está a poesia nesse contexto. Moska deixa a interpretação livre, mas implicitamente sugere que o limite é uma linha imaginária que depende da visão de mundo de cada um e que a poesia existe como ponte entre as diversas realidades do nosso país.

Data do lançamento: 03/08/18.

Referências:

Black Elephant – Cosmic Blues (2018)

Seria difícil encontrar uma descrição melhor para o álbum Cosmic Blues da banda Black Elephant do que o título do próprio álbum. Original de Savona/Itália, o quarteto conjurou os espíritos que geraram o Black Sabbat para criar uma música pesada e viajante com inspiração nos melhores grupos dos anos 70. Cosmic Blues é o terceiro álbum da banda. Antes, lançaram Bifolchi Inside (2014) e Spaghetti Cowboys (2012). O disco recém lançado marca a estreia da banda na gravadora Small Stone Records.

Formada pelo vocalista/guitarrista Alessio Caravelli, o guitarrista Massimiliano Giacosa, o baixista Marcello Destefanis e a baterista Simone Brunzu, o Black Elephant deixa sua marca no underground italiano com músicas memoráveis ​​e um som que é tão desconcertante quanto imaginar um mundo caótico sem dor. Os riffs, apesar de não serem inovadores, são cativantes, as atmosferas remetem à climas áridos-espaciais e os solos são profundos e carregados de distorção.

Acumulando algo aproximado em uma centenas de shows, a banda tem experiência para experimentar no estúdio e testar seus limites musicais. O Black Elephant toca com uma intensidade que parece natural dado o talento dos músicos e a dedicação com a qual tratam o seu trabalho. Com Cosmic Blues, a banda pode alcançar níveis de exposição ainda não experimentado com os trabalhos anteriores. E é bom que estejam preparados, pois o sucesso parece ser só uma questão de tempo.

O disco foi produzido e mixado por Giulio Farinelli; gravado no Green Fog Studio, em Gênova; mixado também por Giulio Farinelli, mas no estúdio Everybody On The Shore, Milão e masterizado por Maurizio Giannotti no New Mastering Studio, Milão, tudo na Itália. A arte da capa foi feita por Robin Gnista e o álbum foi lançando pela Small Stone Records (ASCAP).

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