New Order – Power, Corruption And Lies (1983)

Uma das características marcantes presentes em “Power, Corruption & Lies” é a maneira como foi realizada essa transição da obscuridade do Joy Division (e que ainda aparecia em “Movement) para uma proposta musical mais clean, mais dançante. É a partir desse momento que os temas sombrios, depressivos, e os arranjos atmosféricos dão lugar a uma união equilibrada entre o pós-punk, o experimentalismo eletrônico e os ritmos mais empolgantes melódicos. O New Order entra de vez no mainstream britânico e se consolida como um dos pioneiros do Dance rock. Algumas das canções deste disco lançaram a estrutura do som techno dos anos 2000. A faixa “586”, assim como “Blue Monday” anteriormente, por exemplo, baseia-se nos experimentos com programação rítmica do baterista Stephen Morris. Ele já tinha feito isso com um outro experimento musical chamado “Hacienda” ou “Prime 5-8-6”. Outra curiosidade por trás dessa gravação é que ela foi incluída em 1997 num CD single rebatizada com o nome “Video 5-8-6”. A potência sonora dessa canção possui o tradicional ritmo “bate-estaca”, já produzido pelo Kraftwerk desde o “Trans-Europe Express” em 1977.

Data do lançamento: 02/05/83.

Texto Original:

Rainbow – Bent Out of Shape (1983)

O que mais me incomodou neste disco foi a sonoridade ainda mais comercial, não só das composições, mas também da produção de Roger Glover. Falta peso, principalmente no som da bateria do agora membro Chuck Burgi. O que acontece aqui, é que “Stone Cold”, faixa que atingiu um certo sucesso no disco anterior, serviu de molde para criação deste trabalho. Acabou em partes dando certo, já que “Stranded”, um pop/aor com refrão glam, chamou bastante a atenção, assim como a ótima “Street Of Dreams”, que está longe de ser heavy, mas é muito bem composta. Gosto também de “Can’t Let You Go” que, com mais peso, poderia se tornar um belo hard cadenciado. Essa faixa serve também para mostrar o talento de Joe Lynn Turner.

Data do lançamento: 24/08/83

Texto Original:

Chuck Berry – Blues (1983)

Se é verdade que, “O Blues teve um filho e que ele se chama Rock N’ Roll”¹, então nenhum domingo será mais blues do que este (19/03/17). Ontem faleceu aquele que, por décadas, deu um brilho especial ao Rock’n’Roll. Nascido em 18/10/26 em St. Louis, no Missouri, Charles Edward Anderson Berry – Chuck Berry – como é popularmente conhecido, teve sua morte confirmada às 13h26 do dia de ontem (18/03/17). Um minuto de silêncio, por favor!

Chuck Berry cresceu no blues, tendo Muddy Waters como um herói em particular, então quando ele assinou com a Chess Records em meados dos anos 50, a gravadora imaginou que estavam contratando um artista de blues, mas seu estilo instigante de tocar guitarra e sua propensão para escrever músicas mais frenéticas deixavam de lado todos os clichês do blues. Sua música era inovadora, alegre e tinha o poder de fazer as pessoas balançarem o corpo. Era realmente empolgante e diferente, era algo que despertava nas pessoas uma vontade quase compulsiva de agitar e rolar. Era o Rock ‘N’ Roll, um estilo novo, feito sob medida para a rebeldia dos jovens da época. Mas antes dessa descoberta, Berry mostrou algumas de suas composições mais bluesísticas para o Chess (Dono da gravadora), vários dos quais estão presentes neste disco que é uma coletânea de blues digna dos seus maiores nomes.

É intrigante imaginar o que poderia ter acontecido se Berry tivesse se tornado um músico de Blues. Talvez não tivéssemos o rock ‘n’ roll. Mas, logicamente, se não tivesse sido pela mente inquieta de Berry , certamente alguém teria que inventá-lo. Os destaques incluem a poderosa Wee Wee Hours, uma versão chocante de Down the Road a Piece, de Don Raye, uma versão ousada para Things I Used To Do de Guitar Slim, o híbrido Driftin ‘Blues e uma versão acelerada para St. Louis Blues, de WC Handy. O trabalho de guitarra de Berry é revelador e seu tom é sempre refrescante e cheio de energia. Um grande disco de blues daquele que teve a ousadia de inventar o rock ‘n’ roll.

Data do lançamento: 12/08/03.

Referências:

¹ Frase atribuída à  Muddy Waters em 1977.