Novos Baianos – Acabou Chorare (1972)

Influenciados pela contracultura, Tropicália, o movimento hippie, samba, os ritmos nordestinos, o rock e um pouco de bossa nova, eles criariam uma unidade e assim foi feito o melhor disco brasileiro de todos os tempos. O álbum também marcou o auge criativo de todos os músicos neste registro histórico, uma aposta de João Araújo, pai de Cazuza, dono e diretor da Som Livre. […] A capa do LP é simples: é uma foto de uma mesa construída por Pepeu e representa o dia da trupe. Em 1972, ano que o disco foi lançado, ela recebeu o prêmio de melhor produção gráfica do ano. Quando foi relançado em CD, o disco ganhou uma nova capa e é uma foto de todos os membros do grupo.

Data do lançamento: 01/01/72.

Texto Original:

NRBQ – Scraps (1972)

Para os não iniciados, NRBQ é uma estranheza. Como alguém, por exemplo, aborda uma banda que canta uma música como “Howard Johnson’s Got His Ho-Jo Working?” A resposta pode ser “não muito a sério”, mas então outro problema se revela: as músicas são tão cativantes. “Quem colocou o alho na cola?” e “Magnet” saltam como uma versão do início dos anos 70 de Ben Folds Five. Juntos, o pianista Terry Adams, o baixista Joey Spampinato, o guitarrista Al Anderson, o baterista Tom Staley e o vocalista Frank Gadler encontram um som maior do que a soma de suas partes. Scraps está repleto de música pop que consegue a dupla façanha de fazer o ouvinte se sentir bem enquanto permanece inteligente. As músicas, com algumas exceções, têm apenas dois ou três minutos de duração; isso equivale a 14 faixas do álbum original, que era um monte de faixas em 1972. Há também uma grande amplitude nas composições de Spampinato e Adams, desde o rock “Don’t You Knock at My Door” até o instrumental “Tragic Magic” para o gentil “Only You”. Spampinato, que havia escrito muito pouco em álbuns anteriores, escreveu várias baladas suaves, incluindo “Boys in the City” e “It’s Not So Hard”. As notas do encarte de John DeAngelis mantêm o controle sobre a formação em evolução do NRBQ e fornecem boas informações sobre o contexto da gravação. O apelo dos recados se aproxima do ouvinte, lembrando-o de que algumas músicas são apenas para serem apreciadas.

Data do lançamento: 08/08/72

Texto Original:

Michael Jackson – Ben (1972)

O segundo disco de Jackson trouxe um pouco mais de baladas, mas levou o artista ao estrelato já antecipado. Na verdade, a musicalidade aqui, apesar de plena, não reverencia o passado de Jackson 5, seu antigo grupo, mas trata Michael como um cantor amadurecido. São 5 milhões em vendas nesse álbum e que de fato surge como um apontamento de maior ênfase no trabalho de criar algo superior em linhas futuras. Michael tece aqui uma façanha de cantar em tonalidades altas, mas com um jeito de se impor mais na musicalidade raiz e direto na alma do ouvinte.

Data do Lançamento: 04/08/72.

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Paulinho da Viola – A Dança da Solidão (1972)

Dessa safra homogênea, o quinto álbum solo de Paulinho da Viola, A dança da solidão, lançado em 1972, permanece há 50 anos como síntese perfeita da música deste moderno guardião das tradições do samba e do choro. Com capa que expõe o artista na ilustração de outro artista, Elifas Andreato (1946 – 2022), o álbum A dança da solidão faz, em doze faixas lapidares, a perfeita tradução da alma melancólica do filosófico sambista chorão. Coube ao diretor musical do disco – o maestro Lindolpho Gaya (1921 – 1987), responsável pelas orquestrações e regências das faixas – expor nos arranjos a requintada carpintaria do repertório, que concilia seis então inéditas composições de Paulinho com seis abordagens de sambas alheios, quase todos inéditos.

Data do lançamento: algum dia em 1972.

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