Blondie – Eat To The Beat (1979)

A furiosa e irrequieta bateria no início de “Dreaming” mostrava aos mais reticentes que os Blondie estavam bem vivos e bem capazes de continuar na ribalta do pop-rock planetário. “Dreaming” é, aliás, o primeiro tema-single do alinhamento deste quarto longa duração da banda americana, canção fortíssima, e sucesso desde então. A voz de Debbie nunca pareceu tão bela como aqui, e todos os rapazes da banda estavam em grande forma. O conjunto das canções de Eat To The Beat mostra como são soberbas as melodias que os Blondie foram capazes de produzir em circunstâncias nem sempre famosas, como mais tarde se verá, e uma vez mais a magia de Mike Chapman é um ponto consensual a favor da projeção da banda. São vários os hits presentes neste trabalho de 1979. Ora tome nota: para além da referida canção que abre o disco, há ainda “Union City Blue”, “Shayla” – esta menos conhecida, mas igualmente um sucesso entre os fãs -, “Slow Motion” e “Atomic”. No entanto, outros temas são (muito) dignos de registo, como “Accidents Never Happen”, contributo total do grande Jimmy Destri, o homem das teclas do grupo, ou ainda “Die Young Stay Pretty” e “Sound-a-Sleep”, canção que tantas vezes me fez adormecer e sonhar. A vertente mais pop das canções referidas não ocupa, porém, a totalidade do disco. As mais roqueiras “”Eat To The Beat”, “Victor” ou “Living In The Real World” trazem um perfeito equilíbrio ao álbum, lembrando o facto de os Blondie, no seu início CBGBiano, serem considerados uma banda punk, embora essa definição nunca me tenha agradado.

Data do lançamento: 28/09/79.

Texto Original:

Matthew Halsall – Oneness (2019)

Em Oneness, o trompetista e compositor Matthew Halsall formou um compêndio de peças que se fixam entre o repouso meditativo espiritual e a poesia em movimento. A coletânea de poemas de sete tons foi gravada em três sessões em 2008, mas só lançada em 2019. No encarte, Halsall explica: “Sempre valorizei essas gravações e amei o quão vulneráveis, abertas e livres elas são, mas senti que eram muito sutis e sensíveis para serem lançadas no início da minha carreira, então as segurei até agora. Eu também sinto que agora é o momento certo para soltá-las antes de começar uma nova jornada com um novo grupo de músicos.”

Data do lançamento: 27/09/19.

Texto Original:

Beth Hart & John Bonamassa – Don’t Explain (2013)

“Produzido por Kevin Shirley (Iron Maiden, Dream Theater, Black Country Communion) e contando com feras como o baixista Carmine Rojas e o baterista Anton Fig, Don’t Explain traz dez canções que passeiam entre o soul, o blues e o jazz. Bonamassa assume um papel secundário, deixando todo o brilho para Beth Hart. Dona de uma voz poderosa e encorpada, ela é o grande destaque do álbum. A maneira como Beth canta honra as composições, todas pinçadas a dedo no vasto catálogo dos gêneros citados acima.”

Data do lançamento: 26/09/13.

Texto Original:

Beatles – Abbey Road (1969)

Eu gostaria de ter vivido a mesma sensação de um fã contemporâneo da banda em poder, em 26 de setembro de 1969, ter ido a alguma loja comprar meu vinil, retirar da embalagem, sentir o cheiro, tentar desvendar alguma mensagem subliminar na capa. Mas, voltando em terra firme, o máximo que posso fazer é, enquanto escrevo este texto, ouvir novamente (pela milésima vez) cada música do ICÔNICO Abbey Road (remasterizado), em um fone de ouvido de alta qualidade, digerindo cada detalhe, cada nota musical e tentando perceber algo que não havia percebido.

Data do lançamento: 26/09/69.

Texto Original:

Avishai Cohen – Sensitive Hours (2008)

Décimo sexto álbum do contrabaixista israelense, Sensitive Hours é um disco ao mesmo tempo complexo e prazeroso de se ouvir. Exige alguma iniciação no mundo do Jazz e da música clássica para fruição. A simplicidade comovente e a complexidade “pé no chão” de algumas canções podem despertar os sentimentos mais variados no ouvinte. Isto nos faz ver que a experiência de vida e musical de cada um pode conduzir-lhes por caminhos distintos, mas nunca – em hipótese alguma – pelo caminho da monotonia. Avishai tem o dom para a música e, mais do que isso, para o transformar a complexidade da erudição em algo simples, puro e agradável de se ouvir.

Nota do Editor: o disco também foi lançado em uma versão exclusiva para a terra natal do artista, intitulada Shaot Regishot.

Data do lançamento: 26/09/21.

Saiba mais:

Barão Vermelho – Carnaval (1989)

“… Graças ao bom Deus, o Barão Vermelho optou pela letra “d”. Numa época difícil, com seus álbuns vendendo pouco, fazer um disco de rock autêntico e com poucas concessões ao pop era algo como “matar ou morrer”. E com Carnaval, o Barão matou a pau! Vale lembrar que, naquela época, o Barão Vermelho, quando muito, só conseguia se apresentar em feiras agropecuárias Brasil afora (o que Guto ironicamente chamou de “Barão rural”), e conseguia reunir um ou outro gato pingado. Ao chegarem para um show no interior do RJ, vendo que a fila de pessoas mal chegava a 100, Guto Goffi pensa: “Não dá pra cair mais. Ou é aceitar e morrer, ou bater o pé pra subir de novo”. Nesse clima, começaram as sessões do que viria ser o “Carnaval”.”

Data do lançamento: 25/09/90.

Texto Original:

Electrafixion – Burned (2015)

“Em 1995, as duas forças dominantes do Echo And The Bunnymen decidiram se reunir novamente com um nome diferente. A teoria pode ser que Ian McCulloch e Will Sergeant poderiam se esconder sob os holofotes para avaliar a reação do público a um retorno adequado, mas o argumento mais convincente é que eles queriam iniciar um novo projeto, que estava à deriva do trabalho anterior com sua antiga banda. Por mais curto que esse desvio tenha sido, o Electrafixion provou ser um dos “projetos paralelos” mais palatáveis e a confiança foi conquistada para uma reunião completa com o restante Bunnyman Les Pattinson logo depois.”

Data do lançamento: 25/09/15.

Texto Original:

Tears For Fears – The Seeds of Love (1989)

Se utilizando de uma roupagem “mais” synth-pop tanto na capa quanto no som e pendendo para um discurso “mais” ativista ou simplesmente abrindo espaço para falar abertamente do peso das questões sociais em escala global, o cantor/guitarrista/compositor Roland Orzabal e o seu parceiro de longa data, o cantor/baixista Curt Smith ficaram encantados com Oleta Adams, a cantora de R&B nascida na cidade de Seattle/EUA. E parece que sua curta, mas brilhante participação na música Woman In Chains, os inspirou para fazer um dos melhores discos de sua história. The Seeds Of Love tem um pouco de tudo aquilo o que representa a banda (dupla) em sua essência e – admito – foi muito difícil para este que vos escreve, não se emocionar com as diversas e belas paisagens que este disco causa em toda a sua extensão.

Data do lançamento: 25/09/89.

Texto Original:

Derek Gripper – Billy Goes To Durban (2021)

Em função das medidas preventivas quanto ao Coronavírus, Foi logo depois que as restrições internas de viagem foram levantadas na África do Sul que Derek e seus filhos fizeram uma viagem de quinze horas da Cidade do Cabo para uma pequena fazenda próxima a uma floresta onde seu amigo Guy Buttery estava morando. O plano era gravar a continuação do álbum ao vivo que fizeram anteriormente. Derek levou um gravador analógico com uma caixa de velhas bobinas de fita de cinco polegadas que lhe tinham sido entregues recentemente. Quando chegou, a primeira coisa que fizeram foi pegar as fitas e enrolar uma a uma no gravador. Ao apertar o play, uma surpresa: a fita continha uma gravação antiga realizada no estádio de Durban em 1974, para um sermão do pregador americano Billy Graham, para mais de setenta mil pessoas na África do Sul do Apartheid. Instigado pela curiosidade, Derek lhe enviou um e-mail! E como resultado, obteve uma resposta na qual o pregador falava muito sobre o amor universal. De certa forma, aquilo funcionou como um tipo de as boas-vindas a uma Durban de cinquenta anos atrás. Foi realmente estranho, mas basicamente serviu de inspiração para a composição do álbum em questão.

Data do lançamento: 24/09/21.

Texto Original:

Mathias Eick – When We Leave (2021)

“O toque expressivo do trompetista norueguês Mathias Eick, que de acordo com o New York Times irradia um “tom puro, mas penetrante”, é notavelmente bem complementado na companhia de seus talentosos coadjuvantes e companheiros de viagem. O violinista Håkon Aase, um dos maiores improvisadores de sua geração, acompanha o líder com linhas que refletem uma profunda experiência no folk e no jazz. Os bateristas Helge Andeas Norbakken e Torstein Lofthus espelham suas trocas, pois interagem com precisão ronronante. Perto do centro da ação, o pianista Andras Ulvo e o baixista Audun Erlien transportam ideias entre a linha de frente e a seção rítmica e fazem declarações próprias. Em várias faixas, o delicado swell da guitarra pedal steel de Stian Carstensen adiciona uma dimensão de mistério. Quando partimos foi gravado no Rainbow Studio de Oslo em agosto de 2020.”

Data do lançamento: 24/09/21.